Lençóis (Chapada Diamantina)

Como chegamos

Voo da Webjet do Rio de Janeiro (GIG) para Salvador (SSA) (aproximadamente 1:50 hs de viagem). Pegamos um táxi no aeroporto que nos levou até a Rodoviária de Salvador, e lá pegamos um ônibus da Real Expresso para Lençóis (aproximadamente 7:00 hs de viagem). A estrada é boa mas o ônibus faz muitas paradas. Saímos 10:30 am do Rio de Janeiro e chegamos às 23:30 pm em Lençóis, na Chapada Diamantina.


Onde ficamos

Hotel de Lençóis – Rua Altina Alves, 747 – Centro – Lençóis – Chapada Diamantina – BA
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Período: 7 dias / 6 noites (setembro de 2011)

Nossa avaliação: Hotel excelente. Ótimo quarto, com boa cama, TV e frigobar. Excelente café da manhã e ótimo serviço. Ótima localização (próximo ao centro e às trilhas).


O que fizemos

1º dia: Chegada em Lençóis

Chegamos bem tarde e nem saímos para dar uma volta como sempre fazemos. Lençóis, que surgiu em meados do século XIX com a descoberta de muitas jazidas de diamantes na região da cidade de Mucugê, é uma das principais cidades para se conhecer a Chapada Diamantina, região de serras, protegida pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina, onde nascem quase todos os rios das bacias do Paraguaçu, do Jacuípe e do Rio de Contas.

2º dia: Chapada Diamantina – Poço Encantado e Poço Azul

Logo após tomarmos o café da manhã, saímos para reservar os passeios que faríamos na Chapada Diamantina. Para este primeiro dia, contratamos um passeio no qual visitaríamos dois poços encravados dentro de cavernas. O primeiro foi o Poço Encantado. Chegando no local, e antes da incursão à caverna, paramos para escutar as instruções do guia e nos paramentamos com os capacetes.

Para chegarmos à caverna, descemos aproximadamente 200 degraus até a entrada e mais 112 dentro até chegarmos ao poço. O caverna é linda, tem um lago dentro cheio de sedimentos de calcáreo que quando o sol bate na água o lago se transforma, mostrando um feixe azul e o fundo transparente, que tem 48 metros de profundidade. A caverna é estreita no início mas depois é tranquilo e dois guias nos acompanharam o tempo todo. Infelizmente a cena relatada anteriormente não foi possível de ser vista pois o sol não estava entrando na caverna naquela hora.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Poco Encantado
Poço Encantado

Depois fomos em direção ao Poço Azul. Cruzamos um riacho e andamos uns 500 metros até uma casa onde almoçamos. Antes de descermos a extensa escadaria até a caverna, tivemos que tomar um banho de água doce para tirar o suor e o protetor solar, pois sem este banho não se pode mergulhar no poço. Chegando lá e antes de mergulharmos, o guia nos orientou para que não fizéssemos movimentos bruscos pois os sedimentos subiriam à tona e tirariam a transparência do poço. A água é transparente e o fundo é totalmente visível. Neste lugar tivemos a sorte de presenciar a entrada do sol pela caverna e a formação do feixe azul na água transparente do poço. Ficamos mergulhando por aproximadamente 40 minutos e pudemos comprovar o porque do nome deste poço. Um fenômeno realmente mágico.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Poco Azul
Poço Azul

3º dia: Chapada Diamantina – Poço do Diabo, Grutas da Lapa Doce, Pratinha e Azul e Morro do Pai Inácio

Bom dia com os pássaros na Chapada Diamantina. Em todos os dias no café da manhã, se repetia a mesma cena: várias espécies de pássaros da região vinham nos brindar com um bom dia. Este foi um dos momentos mais gratificantes para mim ao longo desta viagem.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Lencois - Hotel de Lencois
Hotel de Lençóis

Para este dia escolhemos um passeio mais tradicional para conhecer os principais pontos do Chapada. A primeira parada foi no Rio Mucugezinho onde se tem várias quedas d’água que são ótimas para banho. Em seguida, pegamos 800 metros de trilha com muitas pedras até chegarmos na Cachoeira e Poço do Diabo. Uma bela cachoeira que cai num poço profundo e largo de água escura e refrescante. A Bete torceu o pé na trilha e não foi na cachoeira, mas ficou apreciando das pedras; enquanto eu mergulhei e fui nadando até a queda d’água. Ficamos aí por uma hora aproximadamente.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Cachoeira e Poco do Diabo
Cachoeira e Poço do Diabo

Continuamos com o passeio indo em direção à Gruta Lapa Doce, que fica no município de Iraquara. Esta gruta é uma das mais famosas da Chapada e a terceira maior do Brasil, possui cerca de 17 km mapeados, mas a área visitada é de quase 1 km. O seu salão principal chega a 70 metros de altura. Caminhamos dentro da gruta acompanhados de um guia que nos orientava com um grande lampião.

Na Lapa Doce existem inúmeras formações típicas como estalactites, formações que pendem do teto da gruta pela consolidação do carbonato de cálcio  que vem sendo dissolvido pela água que infiltra na caverna e estalagmites, que são as formações que se elevam no solo da gruta pela consolidação do mesmo carbonato de cálcio que cai na sua base. Tinham formações de vários tipos, tamanhos e formas, como de coluna (quando a estalactite encontra a estalagmite), cortina, catedral, entre outras, também conhecidas como espeleotemas.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Gruta Lapa Doce
Gruta Lapa Doce

Saímos dali e fomos para a Fazenda Pratinha conhecer mais duas grutas, com a mesma água transparente e azul dos poços Encantado e Azul. Ao chegarmos, um guia nos deu várias informações e orientações sobre o local e atividades disponíveis. Primeiro fomos na Gruta Azul, onde chegamos depois de uma descida bem íngreme mas o banho nesta gruta é proibido.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Gruta Azul
Gruta Azul

Seguimos então para a Gruta da Pratinha onde o mergulho é permitido. O mergulho entra na gruta por aproximadamente 150 metros e é feito com colete salva-vidas, pé de pato, snorkel e lanterna, necessária devido à escuridão. Um guia especializado em cavernas nos acompanhou dentro de um caiaque. No mergulho pudemos ver uma entrada para a parte ainda pouco explorada da gruta e também ninhos de morcegos que ficavam muito perto de nossas cabeças, já que a distância entre a água e o teto da gruta era pequena. Ao final saímos na parte onde pudemos mergulhar e apreciar a beleza do lugar e os peixinhos coloridos.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Gruta da Pratinha
Gruta da Pratinha
Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Pratinha
Pratinha

Depois do almoço fomos para a nossa última atração do dia na Chapada Diamantina: o Morro do Pai Inácio, para fechar a tarde com chave de ouro. A subida não é fácil, íngreme e com muitas pedras no caminho, mas compensa o sacrifício. De lá tivemos uma vista estonteante da Chapada Diamantina, dos vales ao redor e da Serra do Sincorá, com destaque para o Morro do Camelo e para o Morrão. A paisagem exuberante e o pôr do sol, que torna as montanhas alaranjadas, são inesquecíveis.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Morro do Pai Inacio
Morro do Pai Inácio
Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Morro do Pai Inacio
Morro do Pai Inácio
Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Morro do Pai Inacio
Morro do Pai Inácio

4º dia: Chapada Diamantina – Serrano, Salão de Areias Coloridas, Poço Halley, Cachoeirinha, Cachoeira e Mirante Primavera

Depois do nosso café da manhã com os pássaros, saímos para fazer um passeio pelas trilhas e cachoeiras da Chapada Diamantina mais próximas da cidade, num estilo mais livre. Pensamos em fazer sozinhos mas depois achamos melhor pegar um guia local para não perdermos tempo. Começamos o passeio pelo Serrano, que fica nos limites da cidade, e que é uma grande corredeira que corta a cidade sobre seixos rolados de rochas calcáreas. A água consolidou e poliu os seixos, criando formas interessantes, já que a rocha ficou lisa parecendo um mosaico colorido. É a verdadeira “praia” de Lençóis e de onde temos uma bela vista da cidade.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Lencois - Serrano
Serrano

Atravessamos o Serrano e chegamos aos Salões de Areias Coloridas. Uma série de cavernas e rochas sedimentares caídas, com cores variadas, de onde os artesãos locais retiram areia de cores diversas para fazerem as garrafas artesanais com desenhos de areia. Chegar lá é um pouco trabalhoso mas recompensa ver as paredes e pedras de diversas cores e formas, num cenário bem bonito. Neste lugar aconteceu uma das piores coisas para uma viagem: numa destas subidas e descidas, minha máquina fotográfica, que estava presa ao meu pescoço, bateu numa rocha arranhando a lente. Deste momento até o fim da viagem, tive que improvisar nas fotos.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Lencois - Saloes de Areias Coloridas
Salões de Areias Coloridas

Saímos dali e fomos ao Poço Halley, onde a água é límpida, o lugar tranquilo e a mata no entorno muito bonita. Passamos também pela Cachoeirinha, uma pequena queda d’água que existe no caminho, onde fizemos a primeira parada para banho. Depois de aproximadamente meia hora, voltamos à trilha rumo à Cachoeira Primavera. Depois de 20 minutos de subida, chegamos nesta refrescante cachoeira, onde pode-se fazer uma “massagem” na forte queda d’água como também mergulhar num profundo poço natural. O melhor banho de cachoeira que tomei na Chapada Diamantina !!!

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Lencois - Cachoeira Primavera
Cachoeira Primavera

Depois deste banho de cachoeira revitalizador, subimos até a Poço Paraíso, que fica acima da Cachoeira Primavera. Para finalizar, seguimos até o Mirante Primavera, ponto mais alto da cidade, de onde tivemos um vista panorâmica da região.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Lencois - Mirante
Mirante

5º dia: Chapada Diamantina – Gruta da Torrinha e Ribeirão do Meio

Este dia foi dedicado para conhecermos a caverna que, se não é a maior da Chapada Diamantina e do Brasil, é uma das mais completas, considerando-se a riqueza e diversidade de seus espeleotemas. A Gruta da Torrinha foi descoberta em 1850 e fica em uma propriedade particular em Iraquara. Chegamos lá e percebemos que seria um passeio particular pois mais ninguém visitaria a gruta naquele horário. Antes de entrar, nosso guia particular nos deu um capacete e orientações sobre o comportamento dentro da caverna. Não falar alto, não correr e não mexer nas formações foram os principais pedidos.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Gruta da Torrinha
Gruta da Torrinha

Conhecer uma das grutas mais ricas da Chapada Diamantina e do país exige preparo físico e certa dose de elasticidade. Há três percursos (de uma a três horas). A caminhada começa de forma tranquila até o primeiro salão, que é limite do percurso mais simples e tem formações mais comuns. A partir dele, há trechos em que é preciso se espremer entre blocos de rocha ou andar agachado. É assim que se chega à segunda sala, onde estão as helictites (que desafiam a lei da gravidade) e as curiosas flores de aragonita. A passagem para a terceira e mais impressionante sala revela finíssimas agulhas de gipsita, depositadas no chão, e uma sequência de 60 m de estalactites. Ficamos 3 horas dentro desta gruta e vimos uma grande diversidade de estalactites, estalagmites e espeleotemas.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Gruta da Torrinha
Gruta da Torrinha

Depois do passeio pela Chapada Diamantina e do almoço, retornamos para a cidade de Lençóis. No caminho, passamos por diversas formações rochosas da chapada, entre elas o Morro do Camelo, que leva este nome pela semelhança com este animal. Pedimos ao nosso guia que nos deixasse no Ribeirão do Meio, uma cachoeira que fica a quatro quilômetros de Lençóis e é muito frequentada. Esta cachoeira é acessível depois de 40 minutos de caminhada fácil e tem como grande atração um tobogã natural que termina em uma piscina. Depois de pouco mais de uma hora em que mergulhei nas águas refrescantes cor de coca-cola do ribeirão, voltamos para a trilha e depois para a cidade.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Morro do Camelo
Morro do Camelo
Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Ribeirao do Meio
Ribeirão do Meio

6º dia: Passeio por Lençóis

No nosso último dia inteiro em Lençóis, na Chapada Diamantina, resolvemos aproveitar o hotel e conhecer um pouco desta bela cidade. Saímos do hotel e passamos pelo Teatro de Arena, o Coreto, a Praça Horácio de Matos, o Mercado Municipal e a Praça dos Nagôs até chegarmos no Rio Serrano. Aproveitamos também para comprar geleias que são referência da região.

Brasil - Bahia - Chapada Diamantina - Lencois - Praca dos Nagos
Praça dos Nagôs

7º dia: Fim da estadia

Saída de Lençóis, na Chapada Diamantina, para o Rio de Janeiro.


Dicas / Informações

  • A cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, é super charmosa e tem boas opções de restaurantes, onde comemos todas as noites.
  • Não visitamos a Cachoeira da Fumaça pois fomos informados que estava seca devido ao clima na Chapada Diamantina.
  • A melhor época para visitar o Poço Encantado é entre abril e setembro.
  • A melhor época para visitar o Poço Azul é entre fevereiro e outubro.
  • Uma curiosidade: gruta tem entrada e saída; caverna só entrada.
  • O mergulho na Gruta da Pratinha foi uma atividade bem desafiadora devido às condições apresentadas.
  • O nome do Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina, é explicado por uma lenda local que fala de um escravo que namorava a filha do coronel e que foi perseguido pelos seus capangas. Sem saída pulou do alto do morro com um guarda-chuva. Dizem os crentes na lenda que o escravo já foi visto várias vezes correndo pela região.
  • A Gruta da Torrinha foi um passeio que nos surpreendeu e por isso recomendamos fazer.
  • Ficamos sabendo que no dia seguinte ao que fomos no Ribeirão do Meio, foram vistas cobras nadando em suas águas.
  • O lugar onde se compram as geleias é a Pousada Casa das Geleias.

Links úteis

Locais Informações (valores de setembro/2011)
Hotel Preço: R$ 190,00 (diária de casal)
Ônibus Preço: R$ 55,00 (de Salvador para Lençóis pela Real Expresso)
Poço Encantado e Poço Azul Preço: R$ 120,00
Poço do Diabo, Grutas da Lapa Doce, Pratinha e Azul e Morro do Pai Inácio Preço: R$ 120,00
Passeio em Lençóis (Serrano, Salão de Areias Coloridas, Poço Halley, Cachoeirinha, Cachoeira e Mirante Primavera) Preço: R$ 25,00 (guia)
Gruta da Torrinha Preço: R$ 120,00

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